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A semana de 35 horas na França: o que os empregadores registram

Por Florian8 min de leitura
françasemana de 35 horascode du travailrttforfait jours

A França não inventou a semana de 35 horas; ela herdou uma semana de 39 horas de reformas anteriores e a encurtou em 2000, pela segunda lei Aubry. O objetivo não era proibir jornadas mais longas, mas colocar a semana legal abaixo da norma histórica, de modo que tudo acima de 35 virasse, por definição, hora extra. Vinte e cinco anos depois, a semana de 35 horas continua sendo o marco legal, mas o caminho que os empregadores franceses percorrem até ela evoluiu com os dias de RTT, o forfait jours e a emenda de 2017 sobre o direito à desconexão.

Este artigo explica o que os empregadores franceses realmente precisam registrar, como a durée légale conversa com as horas extras e os descansos, e onde a lei francesa se posiciona na questão do registro depois do caso CCOO.

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#Referência rápida

RegraValorReferência
Jornada semanal legal (durée légale)35 horasCode du travail L3121-27
Jornada semanal máxima48 horas; média de 44h em 12 semanasL3121-20, L3121-22
Máximo diário10 horasL3121-18
Descanso diário11 horas consecutivasL3131-1
Descanso semanal35 horas consecutivas (24 + 11)L3132-2
Intervalo20 minutos após 6 horas de trabalhoL3121-16
Férias anuais remuneradas5 semanas (30 dias úteis)L3141-3
Direito à desconexãoObrigatório para empresas com mais de 50 empregadosL2242-17
Limite anual do forfait jours218 dias para executivos, com exceçõesL3121-58

#35 horas como referência, não como teto

A durée légale de 35 horas por semana é a referência legal para o momento em que a hora extra começa. Ela não é um máximo. O máximo real é de 48 horas em uma única semana e de 44 horas em média ao longo de 12 semanas consecutivas.

As horas acima de 35 são heures supplémentaires (horas extras), que precisam ser:

  • Pagas com adicional (em regra, 25 por cento nas primeiras 8 horas e 50 por cento depois disso), ou
  • Compensadas com folga (repos compensateur)

O adicional exato e a escolha entre pagamento e descanso dependem da convenção coletiva aplicável.

#Dias de RTT: compensação embutida

Quando uma empresa fixa a semana padrão acima de 35 (digamos, em 37 horas), a diferença (2 horas por semana) é compensada com dias de RTT (jours de réduction du temps de travail). Ao longo de um ano, essas 2 horas semanais somam cerca de 12 dias de folga adicionais, além das 5 semanas de férias remuneradas.

Os dias de RTT são muito comuns nas empresas francesas. A troca é direta: trabalhar uma semana de 37 ou 39 horas, com o excedente convertido em 10 a 15 dias extras de folga por ano.

#Forfait jours: a exceção para executivos

Para gestores (cadres) e outros profissionais com autonomia real, a lei permite um contrato de forfait jours: a pessoa se compromete com um número de dias de trabalho por ano (no máximo 218, pelo L3121-58), e o teto semanal de horas não se aplica dia a dia.

O sistema já foi contestado várias vezes. Tanto o Tribunal Europeu de Direitos Humanos quanto a Cour de cassation francesa decidiram que os contratos de forfait jours precisam:

  • Estar amparados por um acordo coletivo escrito
  • Incluir salvaguardas reais quanto à carga de trabalho e ao equilíbrio entre vida e trabalho
  • Prever acompanhamento regular (normalmente entrevistas anuais)
  • Respeitar as 11 horas de descanso diário e as 35 horas de descanso semanal

Empresas que operam o forfait jours sem essas salvaguardas enfrentaram pedidos de reclassificação que expuseram anos de passivo de horas extras não pagas.

#Regras diárias, semanais e de descanso

O teto semanal em destaque é de 48 horas, mas há vários limites intermediários:

  • Teto diário de 10 horas, que pode ir a 12 com autorização (L3121-19)
  • Teto semanal de 44 horas em média ao longo de 12 semanas (L3121-22)
  • Setores específicos (transporte, hotelaria) têm ajustes próprios

São obrigatórias 11 horas consecutivas de descanso diário. O descanso semanal é de 35 horas consecutivas, tomadas em bloco no domingo por padrão, com exceções negociadas para varejo, hotelaria e turismo. A regra do descanso dominical continua sendo uma das mais fiscalizadas do direito do trabalho francês.

#Intervalos

São obrigatórios 20 minutos de intervalo após 6 horas de trabalho. O intervalo precisa ser uma interrupção real, não um sanduíche na mesa. Muitas convenções coletivas ampliam isso para 45 minutos ou uma hora em setores com jornadas mais longas.

#Férias anuais

Cinco semanas de férias remuneradas (30 dias úteis, contando de segunda a sábado no sistema francês) se acumulam a 2,5 dias úteis por mês. O período de referência para o acúmulo vai de 1º de junho a 31 de maio.

Muitos setores acrescentam dias: convenções coletivas de cabeleireiros, restaurantes e parte da indústria concedem 6 semanas. Os cadres costumam ter 5 semanas mais o complemento de RTT.

#O direito à desconexão

A Loi Travail de 2016 (em vigor desde 1º de janeiro de 2017) acrescentou o artigo L2242-17 ao Code du travail, exigindo que empresas com 50 ou mais empregados negociem um "direito à desconexão" com a comissão de trabalhadores. A lei não prescreve como a desconexão deve ser; ela exige que a empresa defina isso.

Implementações comuns:

  • Nada de e-mails depois das 19h ou nos fins de semana, com envio adiado automaticamente para o próximo dia útil
  • Dias de "desconexão", em que nenhuma comunicação interna é enviada
  • Regras explícitas para times internacionais, com diferenças de fuso horário

Não negociar expõe o empregador a ações; não cumprir o que foi acordado expõe a pedidos salariais (trabalho feito fora do horário acordado pode ser reclassificado como hora extra).

#Registro de jornada depois do CCOO

A resposta francesa ao julgamento do caso CCOO foi mais discreta do que a espanhola ou a alemã. A lei francesa já exigia há muito tempo o registro de horas para trabalhadores horistas e para certos grupos assalariados (L3171-1 e L3171-2 do Code du travail). A novidade do CCOO é que todo trabalhador precisa ter um mecanismo de registro, inclusive os cadres em forfait jours.

A Cour de cassation citou o CCOO em várias decisões entre 2021 e 2024, principalmente em casos em que profissionais em forfait jours contestaram sua carga de trabalho. Sem um registro adequado, os empregadores perderam no ônus da prova.

Conclusão prática: mesmo onde o Code du travail não exige expressamente, empregadores que operam com forfait jours deveriam registrar as horas trabalhadas diariamente.

#Fiscalização e penalidades

A Inspection du travail (Inspetoria do Trabalho) fiscaliza. O órgão tem amplos poderes de investigação e pode aplicar:

  • Multas administrativas (até 4.000 euros por trabalhador por falhas de registro, dobradas em caso de reincidência)
  • Representações criminais em caso de violações sistemáticas
  • Ações salariais pelo Conseil de Prud'hommes (Tribunal do Trabalho)

Fiscalizações recentes se concentraram em descumprimentos de forfait jours em consultoria, TI e finanças, o que torna um controle de horas confiável para profissionais de TI parte do arquivo de defesa. Acordos na casa de cinco ou seis dígitos em euros por trabalhador são comuns nas decisões publicadas.

#Lista prática de conformidade

  1. Documente o regime de jornada. Semana padrão, convenção coletiva aplicável, dias de RTT e qualquer arranjo de forfait jours.
  2. Registre as horas de todo mundo. Horistas, assalariados e profissionais em forfait jours se beneficiam do registro. No forfait jours, o registro é a sua defesa contra a reclassificação.
  3. Respeite as 11 horas de descanso diário. Inclusive no forfait jours; isso não é opcional.
  4. Negocie o direito à desconexão. Para empresas com 50 ou mais empregados, não há escolha.
  5. Acompanhe a charge de travail. As entrevistas anuais dos profissionais em forfait jours precisam ter conteúdo, não ser só formalidade.
  6. Calcule as horas extras corretamente. As primeiras 8 horas com +25 por cento, o que passar disso com +50 por cento, salvo disposição diferente na convenção coletiva.

#Perguntas frequentes

A semana de 35 horas é mesmo de 35 horas? O marco legal é 35; a prática varia de 35 a 39, com o excedente compensado em pagamento ou RTT. Muitas empresas operam com 37 ou 39.

Um cadre pode recusar um contrato de forfait jours? Sim. O contrato exige o consentimento escrito das duas partes. A recusa não pode gerar prejuízo.

O direito à desconexão vale para times em outros fusos? A obrigação é do empregador francês. As restrições de agenda internacional precisam ser tratadas no acordo de desconexão, muitas vezes com protocolos claros de passagem de bastão.

Os feriados entram nas 5 semanas? Não. A França tem 11 feriados nacionais, separados das 5 semanas de férias anuais.

E quem trabalha remoto? A semana de 35 horas, os limites diários e semanais e o direito à desconexão valem para quem trabalha remoto exatamente como valem para quem está no escritório, então o registro de horas de equipes remotas precisa cobri-los do mesmo jeito.

#Resumo

  • A semana de 35 horas na França é a referência legal para o começo da hora extra, não um teto
  • O máximo semanal real é de 48 horas; o diário é de 10
  • Os dias de RTT compensam as horas trabalhadas acima de 35 em uma semana típica
  • Os contratos de forfait jours permitem que profissionais autônomos trabalhem por contagem de dias (máximo de 218 por ano), com salvaguardas
  • O direito à desconexão precisa ser negociado em empresas com 50 ou mais empregados
  • O CCOO não gerou uma lei nova, mas os tribunais o citam muito em ações de forfait jours

#Fontes

Este artigo traz informações gerais e não constitui orientação jurídica. Consulte a convenção coletiva aplicável e busque assessoria profissional.

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